“Mais importante que os cargos, é aquilo que você entrega”, afirma diretor de saúde da FBAH

Carlos Ferrara Junior reflete sobre liderança, ética e a responsabilidade de transformar pessoas e organizações

Construir uma trajetória profissional envolve assumir diferentes funções, enfrentar desafios e alcançar posições de liderança. Para Carlos Ferrara Junior, diretor de Saúde da Federação Brasileira de Administradores Hospitalares (FBAH) e consultor nas áreas de Educação e Saúde, porém, os cargos ocupados ao longo da carreira não são o que define um profissional.

“Mais importante do que os cargos é aquilo que você entrega.”

A frase resume uma das principais reflexões do executivo durante sua participação no Encontro FBAH. Com uma trajetória que reúne experiências em hospitais, universidades, educação, direito e gestão, Carlos defende que o conhecimento acumulado deve estar a serviço das instituições, das equipes e, principalmente, da sociedade.

Uma trajetória construída em diferentes experiências

Carlos iniciou sua vida profissional aos 14 anos, trabalhando como empacotador em um supermercado. Depois, formou-se em Odontologia e passou a construir uma trajetória que posteriormente o levaria à administração hospitalar e à gestão de instituições de ensino.

Segundo ele, a mudança para a administração hospitalar foi um momento importante de sua carreira. A experiência permitiu ampliar sua atuação e, posteriormente, assumir posições de gestão em universidades, chegando a cargos como diretor e vice-reitor.

Ao olhar para esse percurso, o executivo destaca a diversidade de experiências como parte importante de sua formação.

“Eu nasci para ser muitas coisas. Somos muito plurais.”

Confira a entrevista completa no Encontro FBAH

Para Carlos, diferentes competências e possibilidades podem coexistir na trajetória de uma mesma pessoa. O aprendizado acumulado em cada etapa contribui para ampliar a capacidade de atuação e compreensão dos desafios profissionais.

Liderança começa pelo olhar para o outro Foi justamente a experiência na administração hospitalar que, segundo Carlos, transformou sua percepção sobre liderança.

Ao conviver com profissionais de diferentes áreas e funções dentro do hospital, ele percebeu a necessidade de olhar para as pessoas e compreender suas realidades.

“Liderar é uma arte.”

A partir dessa experiência, desenvolveu uma visão de liderança baseada no cuidado e no serviço. Para ele, liderar também significa estar presente nos momentos importantes da vida dos colaboradores, tanto nas conquistas quanto nas situações difíceis.

Essa concepção posteriormente se conectou à sua formação acadêmica em Bioética. Em seu doutorado, Carlos aprofundou justamente a discussão sobre como cuidar das pessoas por meio de uma gestão servidora.

Liderança servidora e transformação

Ao longo da entrevista, Carlos explica que não abre mão da posição de liderança, mas entende que ela deve ser exercida com proximidade, responsabilidade e limites claros.

Uma das experiências que contribuíram para essa compreensão aconteceu quando recebeu de um antigo chefe o alerta de que precisava diferenciar a amizade da relação de liderança. A partir daquele momento, passou a compreender que é possível manter proximidade com as equipes sem perder a responsabilidade inerente ao cargo.

Para ele, essa postura também envolve estar presente nos momentos de alegria e de dor dos colaboradores.

Na pandemia, por exemplo, Carlos conta que buscava acompanhar funcionários que haviam perdido familiares. Da mesma forma, fazia questão de prestigiar conquistas acadêmicas e profissionais de integrantes das equipes.

Confira a entrevista completa no Encontro FBAH

Ética como parte da tomada de decisão

A ética e a bioética também ocupam espaço central na trajetória do executivo. Sua experiência em hospitais públicos e instituições de ensino o levou a aprofundar o tema e, posteriormente, realizar um doutorado em Bioética.

Para Carlos, ética não significa apenas evitar práticas inadequadas. Ela também oferece subsídios para analisar situações complexas e tomar decisões considerando diferentes perspectivas.

No ambiente hospitalar, essa discussão ganha ainda mais importância diante de situações que envolvem pacientes, familiares e profissionais. Por isso, ele defende que decisões éticas não devem depender exclusivamente de uma única pessoa.

“O importante da ética nas instituições, que eu julgo assim de suma importância, é não ser uma ética individual do diretor do hospital, do reitor da universidade, ser um colegiado.”

Na sua visão, a participação de diferentes profissionais permite analisar os possíveis caminhos de uma decisão e considerar, principalmente, aquilo que representa o menor risco e o melhor resultado para o paciente.

O legado vai além da posição ocupada

Ao final da conversa, Carlos retoma a reflexão sobre carreira e deixa um conselho para quem está começando a trajetória profissional.

Para ele, alcançar posições de destaque é importante e representa conquistas legítimas. Entretanto, esses títulos não devem se transformar no objetivo central da carreira.

“Faça o seu melhor, mas esqueça a vaidade dos cargos.”

O executivo afirma que o compromisso deve estar relacionado ao que cada profissional consegue entregar para a organização onde trabalha, para a família, para os amigos e, principalmente, para a sociedade.

Essa visão está diretamente ligada ao conceito de liderança servidora que orienta sua atuação.

“O norte da minha vida diária é isso que eu sou, a minha liderança, minha liderança servidora e sempre buscando de novo, inspirar e transformar vidas é a nossa missão.”

Para Carlos, servir ao próximo e contribuir para transformar a vida das pessoas não significa abrir mão das próprias conquistas, mas compreender que elas podem coexistir com uma atuação pautada pela ética e pela responsabilidade.

Encontro FBAH

Essas reflexões fazem parte de um episódio do Encontro FBAH, podcast oficial da Federação Brasileira de Administradores Hospitalares.

Na conversa, Carlos Ferrara Junior, diretor de Saúde da FBAH, compartilha sua trajetória profissional e aborda temas como liderança, gestão, ética, bioética, desenvolvimento de pessoas e os desafios de administrar organizações que têm as pessoas no centro de suas decisões.

O episódio completo está disponível no canal oficial da FBAH no YouTube. Inscreva-se no canal para acompanhar os próximos episódios e conferir outras conversas sobre gestão, liderança e os caminhos da administração em saúde.

Quem somos

Desde 1971, a Federação Brasileira de Administradores Hospitalares é pioneira em colocar a gestão no centro da Saúde no Brasil.

Ao longo de mais de cinco décadas, a FBAH consolidou-se como referência nacional, promovendo a valorização e qualificação dos profissionais que fazem a diferença na administração de hospitais e na gestão da saúde.

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