
Pois, caros amigos, sempre que falamos sobre como termos uma saúde melhor para todos, de cada um de nós poderá vir uma ideia, uma sugestão, um projeto ou poderá não vir nada; isto é, poderão vir apenas desabafos que em nada contribuirão.
Nossa saúde é muito fragmentada e de difícil centralização de ideias e soluções.
Para mim, esse pensamento sempre deverá ser o ponto de partida para o desenho de um projeto mais eficiente do que temos no momento.
Como engenheiro, vejo a saúde como uma equação com muitas incógnitas. Entre elas, posso enunciar: orçamento ineficiente, custos das novas tecnologias, excesso de exames solicitados, envelhecimento da população, judicialização, decisões de governo — e não de Estado —, falta de um prontuário único, entre tantas outras.
Então, faz-se necessária uma decisão com poder de concentrar todas essas interrogações em um sistema de equações que possa, com o tempo, trazer soluções, mesmo que sejam soluções parciais. Agradar a todos e satisfazer as necessidades presentes diante das diferentes interrogações será praticamente impossível.
O mais importante, tratando-se da saúde pública, é que temos um SUS que, apesar de sofrer críticas, ainda é — e continuará sendo — um importante caminho a ser seguido para muitas das soluções emergenciais de que precisaremos.
A saúde primária sempre deverá ser o primeiro ponto de atendimento para a população. Sendo eficiente e bem organizada, poderá reduzir significativamente as demandas dentro dos hospitais.
A regionalização, por outro lado, trará mais eficiência para o serviço público e reduzirá muito o custo de manter determinados hospitais que, na maior parte do tempo, apresentam relativa inatividade. Porém, a dificuldade estará no convencimento dos políticos locais sobre a eficiência de uma regionalização bem planejada.
Não deveremos esquecer que a telemedicina, juntamente com a utilização cada vez maior da inteligência artificial, poderá levar inovação para lugares longínquos e, muitas vezes, sem condições de manter equipes e equipamentos necessários para oferecer uma boa saúde para todos.
Para cada parágrafo escrito, como se fosse uma lei, vejo a necessidade de que seja feita uma regulamentação. E aí sempre poderão surgir mais interrogações, porque as necessidades políticas, tecnológicas, médicas e de recursos tentarão ocupar espaços que nem sempre estarão entre as prioridades definidas.
Mas, para cada interrogação, para cada pergunta, para cada dificuldade identificada, desafios surgem. E eles, sim, sempre serão a motivação para continuarmos otimistas, para que o amanhã seja um pouco melhor para todos.
Paulo Henrique Fraccaro
Diretor do DECOMSAUDE – Fiesp





