ÉTICA: única postura capaz de resgatar a confiança na saúde

Filipe Venturini Signorelli, Diretor-executivo do Instituto Ética Saúde. Mestre e doutorando em Direito Administrativo pela PUC-SP. Especialista em Governança, Gestão Pública e Direito Administrativo, Direito Público e Ciências criminais e docência superior.

A confiança não é algo que se impõe, é um “sentimento” que se constrói com base em relações honestas e leais entre aqueles que se relacionam. No setor da saúde, tal padrão deve ser cocriado por todos que mantêm tratativas econômico-financeiras.

Ao longo da história, observamos a relação de confiança entre alguns atores do setor ruir, seja na prestação de serviços, seja na comercialização de produtos e, especialmente, na relação com o paciente.

O “resgate” da confiança é algo que deve transcender qualquer interesse meramente individual na busca por um negócio pleno e sustentável. É evidente que temos completa consciência de que uma economia forte se pauta em empresas sólidas e lucrativas, com negócios perenes e sustentáveis, o que constitui fator de geração de riqueza, emprego e renda, promovendo o bem-estar coletivo e a estabilidade econômica da nação. Todavia, o excesso de conflitos mostra-se latente e tem crescido ano após ano. Um dos principais fatores é, justamente, a falta de confiança entre os elos da cadeia de valor.

Nesse sentido, o Instituto Ética Saúde, com uma visão sistêmica de todo o setor, durante o ano de 2025, em comemoração aos seus 10 anos de existência, propôs como marca o “resgate da confiança no setor da saúde”, mostrando que atua incansavelmente para que tal postura seja abraçada por todos.

Sua atuação propositiva também é marcada por ações resolutivas, como a criação de indicadores que apontam, dentro de seu recorte institucional, onde estão os “problemas” geradores de desconfiança, tais como a falta de isonomia regulatória e os modelos de condução das práticas antiéticas.

Identificar a causa e o padrão de conduta dos atores responsáveis pela desconfiança é o ponto de partida para que os profissionais atuantes no setor da saúde possam começar a agir de modo combativo, a fim de que a confiança seja restaurada em plenitude. O sustentáculo para que esse cenário se torne real é a ética, que, sem dúvida, é e sempre será o indutor mais embrionário das boas práticas.

A palavra confiança possui um sentido muito particular que, segundo o dicionário da língua portuguesa Michaelis, significa: credibilidade ou conceito positivo que se tem a respeito de alguém ou de algo; crédito; segurança. Crença de que algo é de qualidade superior e não falhará. Sentimento de segurança em relação a si mesmo; firmeza. Crença ou fé de que determinadas expectativas se tornarão realidade; esperança. Sentimento de segurança e respeito em relação às pessoas com quem se mantêm relações de amizade ou negócios. [1]

Assim, a confiança nos negócios e nas relações com os pacientes deve ser o alicerce para um setor justo e transparente, com estruturas sólidas de gestão e governança, pautadas em regras claras. Nesse contexto, chamamos atenção para a autorregulação privada, que é um processo materializador da ética, pois, para que esta exista, aqueles que se relacionam devem assumir um consenso regulatório a ser seguido em suas tratativas. Quando isso ocorre, para que a isonomia e o bem-estar das relações econômico-financeiras sejam reais e perenes, a confiança torna-se o núcleo. Confiar que as regras pré-estabelecidas entre todos serão cumpridas, pautadas em condutas éticas.

O “aperto de mão” coletivo, materializado na assinatura de um acordo setorial, como exemplificado entre os signatários do Instituto Ética Saúde que permanecem firmes no propósito ao longo de toda a sua existência, é um claro exemplo de maturidade setorial e responsabilidade pelo fortalecimento do setor privado.

Assumir o papel de condutor da ética é avocar para si a responsabilidade por um setor forte, com negócios lucrativos e relações serenas. É compreender que cada conduta impacta a vida de milhares de brasileiros.

A confiança, sem dúvida, é a mola propulsora de relações estáveis, do crescimento econômico e de resultados ótimos para os pacientes. Custos otimizados e lucros maximizados por meio de relações honestas, pautadas no consenso (auto)regulatório entre os atores do setor, elevarão o nosso País a patamares de excelência no cuidado com a saúde da população.

É obrigação de toda a sociedade e, em especial, de toda a classe empresarial, buscar o resgate da confiança, pois a função social da empresa refere-se justamente ao compromisso corporativo de atuar positivamente para a sociedade, indo além da geração de lucros, com o fito de promover a sustentabilidade, a equidade e o desenvolvimento socioeconômico.

A ética é a única postura capaz de resgatar a confiança no setor da saúde, por meio de tratativas isonômicas e consensuais, bem como de relacionamentos duradouros e transparentes. A saúde, seja pública, privada ou suplementar, comunica-se de forma intensa na construção estável do Estado, cujo acesso aos tratamentos deve ser digno para todos os cidadãos brasileiros. Fortalecer as relações tendo como base a confiança legítima é compor o cenário da saúde com a certeza de que o bem maior sempre será o foco de todos: a vida humana.

 

Filipe Venturini Signorelli

Diretor-executivo do Instituto Ética Saúde. Mestre e doutorando em Direito Administrativo pela PUC-SP. Especialista em Governança, Gestão Pública, Direito Administrativo, Direito Público e Ciências criminais, e docência superior.

 

 


[1] CONFIANÇA. In: MICHAELIS: dicionário da língua portuguesa. São Paulo: Melhoramentos, ano. Disponível em: < https://michaelis.uol.com.br/busca?id=n1eG >. Acesso em: 25 de jan. 2026.

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